ARTIGOS

PELE IDOSA

FISIOLOGIA DA PELE IDOSA

A pele é o maior órgão do corpo humano, representando cerca de  12% do peso seco total do corpo e apresenta funções variadas como: funções sensoriais, de proteção, impedimento de perda de proteínas e água para o exterior, participação do sistema imunológico, regulamentação da temperatura corpórea, produção de vitamina D3, entre outras. Essas funções são essenciais para o organismo e sua perda mesmo sendo apenas parcial, pode se tornar incompatível com a vida.

Devido a estar constantemente exposta aos estresses ambientais, como mudanças de temperaturas e umidades, bem como substâncias químicas, toxinas e pressão mecânica, a pele é a grande reveladora do envelhecimento.

O Envelhecimento representa um fenômeno biológico decorrente de uma série de fatores e/ou alterações metabólicas que ocorrem devido a fatores extrínsecos e/ou intrínsecos. O fator intrínseco ou cronoenvelhecimento é o envelhecimento natural, devido a hormônios, falha imunológica, herança genética, radicais livres. Já o fator extrínseco são as agressões frente a fatores externos como umidade, temperatura, poluição, álcool, tabagismo, exposição solar contínua (fotoenvelhecimento).

A pele envelhece porque, individualmente cada célula do corpo envelhece e entra na fase de senescência, de acordo com uma cronologia, definida por um relógio celular: o TELÔMERO. O telômero é uma longa e repetida sequência

de nucleotídeos, que finaliza o cromossomo e tem também a função de protegê-lo (por estar na extremidade). A cada ciclo de divisão celular, os cromossomos se duplicam e são ?recompactados?, porém, com uma perda parcial desta sequência que finaliza e protege o DNA. Quando o telômero atinge um comprimento crítico reduzido, as células entram em senescência. Há um ?encurtamento? do telômero, que ao atingir um tamanho muito reduzido, entra em senescência. Na figura podemos ver o cromossomo e as pontas em vermelho, que são os telômeros. 

Os tecidos mais internos da epiderme não são nutridos eficazmente, devido à diminuição da circulação sanguínea e a organização celular não é bem mantida, acontecendo ao acaso e tornando-as mais ásperas e secas. O envelhecimento também é acompanhado pelo esgotamento das fibras colágenas e de elastina, tornando a pele mais fina. Ocorre ainda a perda de algumas glândulas sebáceas o que provoca o aumento do ressecamento da pele. Conforme a pele se torna menos elástica e perde tônus, começa a desenvolver as rugas de expressão devido o deslocamento constante que ocorre naturalmente no dia a dia.

A produção de radicais livres ocorre durante os processos metabólicos naturais do organismo, como o respiratório e de conversão dos nutrientes dos alimentos absorvidos em energia com o auxílio do oxigênio. Os radicais livres são átomos ou moléculas com elétrons não pareados, ou seja, com um elétron faltando em sua estrutura química. Por esse motivo, os radicais livres atacam outras moléculas para "roubar" elétrons e assim se tornarem estáveis. Essas moléculas atacadas se tornam radicais livres e irão tentar o mesmo com outras moléculas, estabelecendo assim uma reação em cadeia que pode causar vários danos ao organismo, assim como para a pele, em que causa descoloração, ressecamento, perda de elasticidade e formação acelerada de rugas.

A glicolisação é uma reação não-enzimática, entre proteínas e glicose ou ribose que gera os produtos AGE, que contribuem para acelerar o fotoenvelhecimento por meio da precipitação da apoptose dos fibroblastos, desencadeando a glicolisação do colágeno, colaborando para a sua degeneração e consequente alteração mecânica dérmica.

A exposição ao sol acelera o aparecimento de rugas, pois danifica a pele e a torna mais ressecada. Com o envelhecimento ocorre aumento da gordura corporal e diminuição da água corporal total, gerando problemas na estabilização da temperatura corporal em temperaturas ambientais extremas.

O envelhecimento intrínseco é caracterizado por atrofia da pele, resultando em rugas finas. Cerca de 85% das rugas na pele envelhecida deve-se ao envelhecimento extrínseco, caracterizado por rugas profundas.

As rugas podem ser classificadas em quatro tipos, segundo a Escala de Globau.

Tipo

Descrição

Características

I - Discreta

Sem rugas

Fotoenvelhecimento inicial;

Pequenas mudanças de pigmentação;

Pele fina, com pouca espessura;

Rugas mínimas.

II Moderada

Rugas em movimento

Fotoenvelhecimento intermediário/moderado;

Pequenas manchas marrons na pele;

Espessura da pele mais grossa em alguns pontos, possível de ser sentida pelo tato, mas invisível;

Linhas começam a aparecer com o sorriso.

III Avançada

Rugas em repouso

Fotoenvelhecimento avançado;

Perda de cor e varizes em algumas localizações;

Pele espessa em alguns pontos, visível;

Rugas mesmo visíveis quando o rosto está em repouso.

IV - Grave

Apenas rugas

Fotoenvelhecimento severo;

Cor da pele amarelo-acinzentada;

Enrugado por completo, nenhuma pele normal.

Referência: MENOITA, Elsa; SANTOS, Vitor; SANTOS, Ana Sofia. A pele na pessoa idosa. 2013. Disponível em: < http://journalofagingandinnovation.org/volume2-edicao1-janeiro2013/a-pele-na-pessoa-idosa/>. Acesso em: 09 mar 2016.

Artigo da equipe do ISIC com a colaboração e coordenação da Farmacêutica Patrícia Andrei SaslavskI


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