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ALISAMENTO

Eles ajudam a realizar verdadeiros milagres, como transformar uma cabeleira rebelde e sem vida em um liso ou cacheado disciplinado e cheio de brilho. Mas é importante conhecer as diferenças entre esses ativos para escolher a opção mais adequada a cada tipo de cabelo

Com a constante evolução da indústria cosmética, cresce também a busca por novas tecnologias em processos de alisamento. Isso porque esses serviços podem representar até 50% do faturamento total de um salão, número impulsionado pelo desejo frequente das clientes de ter uma cabeleira lisa. Dessa forma, tão importante quanto saber manusear os ativos, é ficar atento às diferenças entre essas substâncias para atender às expectativas de cada cliente, sem comprometer a estrutura dos fios.

A força dos hidróxidos

Entre eles, a versão mais conhecida resulta da reação química entre o carbonato de guanidina e o hidróxido de cálcio, mas também existem outros tipos à base de sódio, cálcio, potássio e lítio, que têm processo de aplicação semelhante ao primeiro, mas que, por outro lado, agem mais rapidamente. Todos eles rompem as pontes de cistina do fio, o que faz com que o resultado seja irreversível.

O hidróxido de sódio tem maior poder de alisamento e, por isso, é indicado para cabelos extremamente crespos e resistentes, como os étnicos, por exemplo. Já a guanidina permite a realização de relaxamentos e alisamentos em diferentes níveis de ondulações e espessuras. Esse ativo apresenta três intensidades de força: suave, para finos e frágeis; normal, que é mais usada na diminuição do volume; e forte ou extraforte, ideal para fios mais grossos.

"A escolha da força é definida a partir do diagnóstico do cabelo e do teste de mechas, durante o qual o profissional deve analisar atentamente a resistência da fibra", explica Flávio Domicciano, gerente técnico e operacional da Itallian Hairtech. "Saber definir o nível de curvatura dos fios e entender qual é o real objetivo da cliente também são fundamentais para um resultado positivo", ressalta Claudio Roberto da Silva, educador da Academia Ondina.

Versáteis tioglicolatos

Aqui existem três grupos principais: amônia, etanolamina e monoetanolamina. O primeiro e mais conhecido vem da união entre o ácido tioglicólico e o hidróxido de amônia. Há décadas era adotado em permanentes, até se descobrir que uma pequena alteração na consistência da mistura poderia ser usada para alisar as madeixas, o que mais tarde ficou conhecido como alisamento japonês ou escova definitiva. O tioglicolato de amônio é mais suave que as outras bases, com pH entre 9 e 9.5. "É a melhor opção para obter resultados menos radicais, como redução de volume, por exemplo", explica Claudio Roberto da Silva, da Academia Ondina. Diferente dos hidróxidos, tem ação neutralizada com oxidante ao final do processo. Por isso, a qualidade do resultado depende totalmente da avaliação da estrutura e da saúde do fio, e está intimamente ligada ao tempo de ação do alisante. Outra diferença é que nos protocolos à base de tioglicolatos é preciso primeiro lavar a cabeça para retirar possíveis resíduos antes do procedimento. Depois do tempo de pausa, o cabelo é abundantemente enxaguado para remover totalmente o ativo. Em seguida é aplicado o neutralizante sobre os fios, que são escovados e chapados. Por fim, é hora de voltar para o lavatório, dessa vez para remover o neutralizante. O ideal é que a finalização seja realizada com secador e chapa.

Proteção extra

Por terem um pH elevado, em torno de 13, os hidróxidos são alcalinos e têm maior chance de provocar irritação cutânea do que os tioglicolatos. Para diminuir esse risco, você pode tomar algumas medidas, como pedir para a cliente não lavar o cabelo um dia antes da aplicação. Isso ajuda a manter a oleosidade natural do couro cabeludo, que atua como barreira natural contra os efeitos negativos do ativo. Além disso, use um protetor para a pele em todo o contorno da cabeça. O enxágue é outra etapa importante, pois a água age como neutralizante da ação do produto. Para você ter certeza de que não há resíduos sobre os fios, faça um teste com um xampu indicativo. Se a espuma tiver uma coloração rosa, é preciso enxaguar mais até que ela saia branquinha.

Fonte: Revista Cabelos & Cia


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